​​Indicações de Filmes sobre HIV

Desde o surgimento do HIV/AIDS no início da década de 80, muito se falou sobre a doença e muita desinformação foi disseminada, no entanto alguns filmes foram capazes de elucidar com muita realidade os acontecimentos que se seguiram desde seu descobrimento e sobre a transformação social ocorrida na vida das pessoas infectadas pelo vírus. 

Nesse sentido, podemos citar três filmes que consideramos indispensáveis para que se compreenda todo o contexto envolvido desde o início da epidemia do HIV/AIDS, a identificação do vírus, os movimentos sociais e a realidade enfrentada por seus portadores:

E a Vida Continua (“And the Band Played On” de 1993, baseado no livro homônimo de 1987) – O filme relata o surgimento dos primeiros casos de AIDS e a luta de médicos e cientistas em todo mundo para identificar o agente causador da doença e como acompanhar os pacientes acometidos pela doença. Mostrando ainda os bastidores da descoberta do vírus e a disputa entre franceses e americanos como responsáveis pela identificação, o filme retrata de forma muito emocionante a mobilização social ocorrida neste momento de descoberta, assim como a discriminação enfrentada por grupos de vulnerabilidade e o desalento de pessoas contaminadas em seu rápido e progressivo desfecho fatal. O filme pode ser encontrado no Youtube e canais de streaming.
Filadélfia (Philadelphia, 1994) – O preconceito e todas as consequências negativas que os portadores da infecção pelo HIV enfrentaram enquanto pouco se sabia sobre a doença é retratado neste filme baseado em fatos, em que um proeminente advogado de uma renomada firma de advocacia, interpretado por Tom Hanks, vê sua vida mudar totalmente ao descobrirem sua soropositividade ao HIV. O drama recebe ainda mais contornos que ajudam a promover a conscientização e impedir a discriminação quando o personagem de Denzel Washington, um advogado homofóbico é contratado para intervir a favor de Hanks. O filme pode ser encontrado em canais de streaming.
Os Primeiros Soldados (2022) – Este filme brasileiro tem sua história passada entre 1983 e 1984 onde um grupo de amigos decidem passar o réveillon juntos e acabam se infectando com o vírus HIV. Apesar de haver outros filmes nacionais que retratam a vida de pessoas acometidas com a doença, este filme mostra com detalhes o drama vivido pelos primeiros portadores de HIV no Brasil, a discriminação e preconceito que até hoje ainda estão presentes em nosso meio pela falta de informação do público a respeito da doença.  O filme lançado há pouco mais de 3 meses ainda está disponível na maioria dos cinemas.

​​ Conteúdo elaborado por Thiago Guerino – Gerente de Produto do Brasil Apoio

​​HIV/AIDS – Epidemiologia e perspectivas (2022)

​​Dezembro é o mês de conscientização sobre a infecção pelo HIV/AIDS e a necessidade do tratamento precoce. Os últimos dados publicados pela UNAIDS, programa da ONU criado em 1996 com o intuito de ajudar as nações no combate a AIDS e prevenir a disseminação do HIV, estimam que haja 38,4 milhões de pessoas infectadas com o vírus no mundo, sendo 1,5 milhão de pessoas recém infectadas no último ano e 650 mil mortes por doenças relacionadas à infecção. Os dados mostram que 75% destas pessoas infectadas têm acesso ao tratamento. Desde o início desta epidemia, já se contabilizaram 84,2 milhões de pessoas infectadas, com consequente 40,1 milhões de mortes em decorrência de suas complicações (48%). 

​Em relação ao uso de terapias antirretrovirais, há uma discrepância considerável em relação ao gênero dos pacientes infectados, uma vez que 80% das mulheres fazem uso da medicação, enquanto apenas 70% dos homens o fazem. Não foi encontrada diferença significativa no número de novos infectados entre homens e mulheres (51% e 49%, respectivamente). Um dado importante sobre novas infecções foi a constatação do considerável decréscimo no número de novos casos quando comparado com o pico da doença em 1996, que hoje é 54% menor do que naquela época, assim como o número de mortes que teve seu pico no ano de 2004 e hoje se encontra 68% menor, sendo que desde 2010 as mortes relacionadas à AIDS reduziram 57% entre as mulheres e 47% entre os homens. 

​Em 2014 foi lançada oficialmente a “Declaração de Paris”, uma iniciativa que contou com a UNAIDS e a Associação Internacional de Provedores de Cuidados de AIDS (IAPAC), com o objetivo de firmar compromissos entre as nações para o combate ao HIV. Recentemente, em 2021, estes compromissos foram atualizados e uma das principais metas propostas foi a erradicação da epidemia de AIDS até 2030. Nesse sentido foi estipulada a meta global denominada “95-95-95”, que se refere ao esforço para que 95% dos indivíduos infectados pelo HIV saibam de sua condição, recebam o tratamento e que estejam com sua carga viral suprimida. Atualmente temos no mundo 85% de pessoas infectadas com o HIV cientes de seu status sorológico e, destas, 75% têm acesso ao tratamento e 68% atingiram a supressão viral. 

​No Brasil temos mais de 850 mil pessoas diagnosticadas com HIV, das quais 81% estão recebendo terapia antirretroviral (~ 694 mil), sendo que destas 95% já não transmitem o vírus por via sexual por terem atingido uma supressão da carga viral (~ 659 mil).

Já em relação à manifestação clínica desta infecção, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (do inglês, AIDS – Acquired Immune Deficiency Syndrome), os dados do Ministério da Saúde apontam que de 1980 até junho deste ano 1.088.536 casos de AIDS foram contabilizados, sendo que 66% (~ 719 mil) destes casos em homens e 34% mulheres (~ 369 mil), já o número de mortes em decorrência da doença neste período foi superior a 371 mil pessoas, 13 mil apenas em 2021. Nos últimos 5 anos houve uma média de 36 mil novos casos/ano da doença. Vale ressaltar, no entanto, que a despeito da diminuição do número de casos reportados no país, que está em queda desde 2013, pode haver uma subnotificação acentuada ainda mais devido ao período de pandemia de covid-19 e consequente diminuição na procura por serviços de saúde. 

Conteúdo elaborado por Thiago Guerino – Gerente de Produto do Brasil Apoio

Referências: